Proposta de Encenação Mário e as Marias

A montagem de “Mário e as Marias” partiu de propostas iniciadas na produção anterior da cia LÚDICOS de teatro popular – o espetáculo “A Ciranda do Villa” com o propósito de estabelecer um diálogo entre as duas montagens e aprofundamento da nossa pesquisa a cerca da cultura popular brasileira. Em ambos os processos buscamos direcionamento principal ao público infantil, com fortes reflexões para o público adulto; músicas cantadas ao vivo e à capela, executadas somente por atrizes; apresentações realizadas nas ruas, praças, parques e espaços alternativos a fim de democratizar o acesso ao teatro brasileiro e seus respectivos artistas por meio de um teatro popular; o coro como principal elemento cênico de criação e o jogo entre as atrizes e com o público como motivador das cenas.

A vida e obra de Mário de Andrade são visitadas e colocadas em cena partindo dos elementos acima citados e também de estudos sobre o Rio Tietê, as ruas de uma grande cidade, obras de outros modernistas, ritos e danças da nossa cultura popular, além de algumas influências musicais e culturais estrangeiras.

O espetáculo é dividido em quatro quadros que metaforizam quatro ritos de passagem: o ritual do nascimento e do batismo; o ritual do sangue; o ritual do casamento; e o ritual da morte. As cenas são concebidas explorando estas passagens, revelando sempre um caminho, um destino, ou a contra mão de tudo isso. O palco é delimitado por duas cordas estendidas paralelamente, sem marcação nas extremidades, formando um corredor aberto, que, ora representa as ruas da cidade, ora o Rio Tietê, ora os caminhos de Mário de Andrade.

A história é contada por cinco mulheres: as Marias do Mário. Elas são a representação da sua busca, realizada durante uma vida inteira, pelas nossas raízes, pela essência da nossa cultura, e é caminhando em direção a essa qualidade de presença que as Marias cantam, dançam e contam essa história.

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