Justificativa – A Ciranda do Villa

Escolhemos a trajetória de Heitor Villa-Lobos para a nossa montagem por ser ele um dos maiores compositores da história brasileira e, no entanto, pouco conhecido. Podemos dizer que ele “cirandou” por esse Brasil adentro e buscou em cada região uma inspiração para suas obras, levando-as até outras nações onde foi consagrado como um dos maiores compositores de sua época.

            Além de mostrarmos parte da sua impetuosa vida, propomos um resgate das singelas brincadeiras e canções folclóricas regionais brasileiras. Assim, a ciranda, que ao longo da história consolidou o vínculo afetivo de muitas gerações que se deram as mãos, cantaram e dançaram juntas, fala a mesma linguagem apesar da mudança dos tempos. Trata-se de uma brincadeira simples, mas capaz de incluir a todos e não importa o tamanho da roda, o propósito é fazê-la girar.

            Deste modo surgiu a necessidade dos integrantes da companhia em buscar novas linguagens teatrais. Optamos então pela exploração de espaços não-convencionais – uma sala convencional, um galpão ou a própria rua – uma vez que construções arquitetônicas que não separam a plateia da cena permitem uma troca diferenciada e ativa outros sentidos de percepção do espectador. Podemos ir a qualquer lugar e apresentar a todo tipo de público, independente de classe, credo ou cor, atingindo todas as camadas sociais.

Viajar por espaços ermos… Esse é nosso intento, a fim de dialogar com a estrada que Villa-Lobos percorreu para construir a sua obra. E no caso de “A Ciranda do Villa”, fazer chegar os mitos do folclore, a ciranda e a própria história do compositor a lugares por ele nunca visitados. Conjugar o verbo cirandar para que mais e mais crianças e adultos recebam por meio dessa atividade uma contribuição para seu desenvolvimento social, cultural e emocional, pois brincando com símbolos, experimentam emoções distintas que ajudam na construção da própria identidade.

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