XVII Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente

Crítica de Márcio Marciano
Uma ciranda encantada
Corda de tecidos trançados, cores suaves, tons pastel. A roda está formada, o teatro é na rua. No centro da cena sete atrizes, sete malas, sete vozes encantadas. Após breve saudação, tem início a Ciranda do Villa, espetáculo da Cia. Lúdicos de Teatro Popular, de São Paulo. O nome da trupe parece se inscrever em cada detalhe dos figurinos e objetos de cena, lúdicos e populares, mas inscreve-se especialmente na concepção do espetáculo.
A dramaturgia de Evill Rebouças se inspira na agilidade do estilo de “Macunaíma” e “Memórias Sentimentais de João Miramar”, dos modernistas Mario e Oswald de Andrade, além de fazer referências a obra de seus pares Drummond e Bandeira, para contar a história do menino Tuhu, que se tornou o mais célebre músico da Semana de Arte Moderna de 22, Heitor Villa-Lobos.
Narra a viagem que a criança empreende em sonho por todas as regiões do Brasil em busca de descobrir a Música. A simplicidade dessa estrutura é enriquecida por uma variedade de canções infantis populares, que ganham brilho na voz singela das atrizes cantoras.
Dessa forma, a direção precisa de Gira de Oliveira opera um deslocamento sutil, mas que se constitui como o grande trunfo da montagem. Embora o público acompanhe a trajetória do menino Tuhu, o que de fato se agiganta na cena, a partir do vigoroso e delicado trabalho das jovens atrizes, é a própria musica de matriz popular, expressão mais que genuína de nossas origens, e de resto, matéria primordial para a investigação do grande compositor Villa-Lobos.
A plasticidade da disposição cênica, a utilização precisa do coro, as soluções sempre bem humoradas conferem a esta ciranda um encantamento raro. São minutos de generosa celebração, lúdica e popular que fazem de A Ciranda do Villa um belo espetáculo.